terça-feira, maio 08, 2012

Ainda sobre o Luis Rogério.

O meu querido amigo Márcio Schlee Gomes escreveu um textinho para a nossa intranet acerca do falecimento do Luis Rogério. Permito-me, então, pela excelência do texto, reproduzi-lo aqui no blog. E o faço sem pedir autorização do Márcio, o que se justifica por conta da amizade que nutrimos.

Homenagem a Luís Rogério Lima Tavares

Por Márcio Schlee Gomes
Triste, recebi a notícia do falecimento do colega e amigo Luís Rogério Lima Tavares, que vinha lutando há meses contra essa doença traiçoeira, silenciosa e desgraçada que é o câncer. Eu tinha esperança na sua melhora, estou longe, em Lisboa, não pude acompanhar de perto, mas acreditava que ele conseguisse. Não aconteceu. Luís Rogério, como tantos anos fez no Tribunal do Júri de Rio Grande e, ainda, em Porto Alegre, peleou até o fim. Corajoso, aguerrido, um exemplo de Promotor de Justiça, na sua humildade, na sua bravura. Amava o Júri. E o Júri, hoje, está de luto com a sua partida. A tribuna do Ministério Público sentirá essa partida, pois perde um de seus grandes.

Luís Rogério fez sua história em Rio Grande, foi Coordenador de Núcleo da AMP/RS, por anos, coordenador da Promotoria, sempre elevou o nome do Ministério Público e por isso ganhou o maior respeito da comunidade. E no Tribunal Popular, em que o substituí em 2001, deixou uma história de tanto respeito que sempre foi lembrado por juízes, advogados, jurados e alunos das Faculdades de Direito. Merece, sim, ser lembrado, homenageado. Que fique seu exemplo de Promotor do Júri, de coragem, de respeito por aquele recinto sagrado em que se debate a vida e a morte, o plenário do Júri, tão árdua tarefa assumida por nós, tão desgastante, tão estressante, mas, sim, tão nobre e que Luís Rogério soube honrar e defender como poucos e que deve servir de espelho para os Promotores mais novos que devem ter esse mesmo ideal.

Deixo, em sua homenagem, dos seus amigos do Júri, do Ministério Público, dos colegas de Rio Grande que conviveram com ele, este trecho de “Querência, Tempo e Ausência” do saudoso Jayme Caetano Braun:

E nesse andejar em frente, sem procurar recompensa,
Fui vendo - na diferença, entre passado e presente,
Que a lembrança de um ausente, tem mais força que a presença!
Já no final da existência, saudade - tempo e distância,
Pra conservar a fragrância, da primitiva inocência,
Me tornei canto de ausência, querência da minha infância. 

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