sábado, abril 26, 2014

Sobre uma cadela, um monte de bovinos e indenizações. Comentário de jurisprudência.



O fenômeno do sofrimento é objeto de uma série de reflexões interessantes levadas a termo pela filosofia. Na minha opinião – e acho que já falei disso outras vezes – um dos tratamentos mais interessante dados ao sofrimento advém dos utilitaristas.

Para contar uma história longa muito rapidamente, os utilitaristas partiram de uma visão acerca das coisas do mundo a dizer que seus valores não advém de outra fonte senão do reconhecimento que os homens lhes dão. Na verdade, para tal afirmativa subiram nos ombros de David Hume, que antes afirmara serem as coisas verdadeiramente neutras de valor e dependentes de avaliações humanas.

Então, considerando que nada seria bom em si mesmo, os utilitaristas – como bons empiristas – concluíram que havia a necessidade de encontrar um princípio a orientar as escolhas morais. Para tanto, chegaram à conclusão de que todo e qualquer comportamento que nos leve à felicidade e ao prazer e para longe do sofrimento e da dor são os moralmente corretos.

segunda-feira, abril 21, 2014

Aquilo que se pode suportar.


Os meios de imprensa vivem de notícias. As notícias – fatos que, por um motivo ou por outro, chamam a atenção do público – não raramente são tragédias. Daí que quando os meios de imprensa passam às tragédias, há um qualquer algo de frenesi na produção de conteúdo acerca do fato a nos fazer chegar a um estado de confusão no qual o choque da tragédia se mistura com o sufocamento que decorre do excesso.
Tudo certamente piorou nessas situações depois do advento da internet e especialmente depois dos blogs e das redes sociais. E é por causa de manifestações lançadas nesses meios que abandono minha letargia de feriado para este escrito. A primeira peça da qual trato tinha pretensão de examinar a teoria de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal e se fez publicar no Sul 21[i] na internet. A segunda manifestação se resume a um enorme grupo de comentários e matérias de jornal a apontar supostas falhas de sistema que redundaram na tragédia. O caso de fundo, evidentemente, é a morte ainda não bem explicada do menino Bernando, que ocorreu na região de Três Passos, caído pelas mãos, ao que se suspeita, de sua madrasta, do pai e de uma terceira pessoa.
O motivo deste escrito é, ao fim e ao cabo, apontar uma relação estranha entre o pensamento de Arendt no livro sobre o caso Eichmann, maltratado ao limite do que se pode suportar no artigo do Sul 21, e os comentários dos que atribuem culpa pela morte do menino ao Juiz, à Promotora ou ao que se costuma batizar de “sistema”, organização insípida e sem corpo bem identificado.
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