segunda-feira, setembro 15, 2014

Reflexões sobre filosofia num final de domingo.



O Brasil é um lugar interessante. Mesmo. Mas negativamente interessante. É que enquanto em alguns lados há avanços, por aqui se revela uma série de retrocessos. Sério. 

Vejam só como anda o mundo em termos de produção acadêmica em direito penal. Nos últimos anos, depois de um longo tempo de marasmo, houve verdadeira invasão interdisciplinar no direito penal mundial. Falo das invasões - boas, diga-se de passagem - dos conhecimentos da sociologia, da filosofia, da medicina e de outros ramos na seara do direito punitivo. Por hoje queria falar especialmente da filosofia. É que os filósofos meio que se cansaram das discussões teóricas distantes e passaram a investir em determinados aspectos práticos do direito, especialmente do penal, a tentar fazer com que suas reflexões sobre o mundo fossem mais facilmente compreendidas. 

Não é para menos que as discussões modernas de Michael Sandel, o professor showman da universidade de Harvard, tem por pano de fundo o aborto, a morte, homicídios e questões bastante comuns para os que manejam com os casos de estado de necessidade. 

É claro que todos ganham com isso. Seja os que gostam de direito penal, seja os que gostam de filosofia. Tudo ficou mais fácil para todo mundo. 

A produção acadêmica do direito penal brasileiro, de sua vez, vai no sentido contrário. Primeiro há um tal de repeteco acerca dos mesmos temas que não dá mais para aguentar. Ou seja, se eu ganhasse um real a cada vez que alguém me apresentar um artigo publicado sobre garantismo, criminologia crítica ou a falência do sistema de prisão seria um sujeito muito rico. De mais a mais, se eu ganhassem também um real a cada vez que alguém levanta a questão do direito penal do inimigo em citação fora de lugar estaria ainda muito mais rico. E nada contra esses temas, mas faça-me o favor. Para além disso, há um círculo de autorreferências muito cansativas. 

Por segundo, tudo está cada vez mais confuso. É uma tal utilização de um discurso hermético, reflexivo, em que só há perguntas etéreas, sem qualquer sorte de resposta, tudo a dar uma aparência de genialidade inalcançável. E se isso está bem eu não sei. Só o que sei é que do que entendo de inteligência, o sujeito que não se faz compreender nada tem de gênio. 

Mas estou contando todas essas coisas para apontar o mito havido entre nós de que os conceitos básicos de filosofia precisam ser muitíssimo complicados. E assim o faço apresentando este artigo aqui. Está em inglês, mas é o que temos. Nesse escritinho há representação gráfica muito bacana de alguns pensamentos filosóficos importantes. Tudo muito simples e muito básico. Característica dos verdadeiramente inteligentes. 

Bom final de fim de semana. 
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